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Emissões versus Susceptibilidades

Se não existissem problemas de interferência, não haveria estudo de EMC. Embora cada problema de interferência tenha suas particularidades, compreender a estrutura básica comum a todos os problemas de interferência é entender de EMC. Mais uma vez recorrendo às definições do IEC, dizemos que um problema de interferência eletromagnética como “a degradação de desempenho de um dispositivo, equipamento ou sistema causada por uma perturbação eletromagnética” (IEC, 1989).

Isso significa que, para ocorrer um problema de interferência é necessário que:

  •     Haja alguma coisa emitindo energia eletromagnética, ou seja a fonte da perturbação;
  •     Haja alguma coisa susceptível a essa energia eletromagnética, ou seja, a vítima da perturbação;
  •     Exista um conjunto de circunstância favoráveis à propagação da energia eletromagnética desde a fonte até a vítima, ou seja o caminho de acoplamento.

Naturalmente, pela própria natureza dos fenômenos eletromagnéticos, uma fonte pode perturbar mais de uma vítima ou uma vítima pode ser perturbada por várias fontes. As três condições listadas acima representam o mínimo necessário para a ocorrência do problema.

Embora seja relativamente comum referir-se às emissões e susceptibilidades eletromagnéticas como sendo EMI, essa confusão precisa ser desfeita. De acordo com o IEC, EMI significa o problema de interferência o qual, para ocorrer precisa que as três condições previamente listadas ocorram, e não as emissões causadoras do problema, como normalmente se pensa. O IEC usa o termo perturbação para designar o sinal causador do problema.

É relativamente comum encontrarmos também o termo RFI. RFI deve ser considerado como sendo apenas uma parcela dos problemas de EMI possíveis, no caso, a parcela correspondente aos problemas causados por perturbações cujas frequências se localizam no espectro de RF.

Uma vez que o problema de interferência, para ocorrer, necessita que três condições básicas sejam satisfeitas, então a interferência pode ser suprimida eliminando-se qualquer uma das três causas. Porém não são todas as situações que permitem ao engenheiro de EMI escolher arbitrariamente quaisquer das três condições para suprimir. Quando uma única fonte está causando mais de um problema, parece fazer sentido (no mínimo, financeiramente) suprimir a fonte. Existem fontes chamadas intencionais, que emitem energia eletromagnética como parte de sua operação normal (por exemplo, um sistema de radar), e que não podem ser desligadas como se desliga uma lâmpada para dormir. Quando apenas uma parte de um sistema é perturbada, também parece óbvio que a solução do problema de EMI é proteger a parte perturbada com blindagem, filtragem ou aterramento, mas se a parte perturbada é um receptor de rádio e a perturbação chegar pela antena, não se pode blindar a antena ou o receptor de rádio não funcionará. Enfim, são as particularidades de cada situação que definirão a solução a adotar.
Mecanismo de uma interferência

Níveis de Modelamento dos Problemas de Interferência

Os problemas de EMI podem ser analisados em diferentes níveis: sistema, equipamento, circuito e componente. Vamos tomar como exemplo, o problema bastante conhecido por aqueles que moram nas imediações de emissoras de rádio e que consiste em ouvir o som da emissora nos alto-falantes de um equipamento de som, mesmo que em nível bem reduzido. Em nível de sistema, aquilo que é susceptível é o conjunto equipamento de som e conexões elétricas. Em nível de equipamento, o susceptível deve ser o amplificador. Em nível de circuito, pode ser a entrada de toca-discos do amplificador. Em nível de componente, o susceptível pode ser o amplificador operacional que amplia e equaliza o sinal oriundo da capsula fonocaptora.

Interferência de radio e cápsula fonocaptora

Nos próximos artigos vamos continuar a examinar o mecanismo de interferência eletromagnética.